Por Renato Casagrande

Parece não haver dúvida que o mundo mudou muito. Mudou tanto que os pais, antes com certeza de como educar seus filhos e muito mais segurança nos resultados que obteriam nessa educação, confessam não terem mais tanta convicção.Têm grandes dúvidas se incentivam  ou não a prática de sua religião, ou o caminho que estiver mais alinhado com seus interesses e suas crenças.  

Enfim, os pais estão percebendo pouco a pouco os seus limites. É lógico que é dever da família ensinar valores, virtudes, desenvolver senso de justiça, de generosidade, mas sabemos que isso não é suficiente. A influência que as crianças e os jovens estão tendo no fenômeno da globalização está, muitas vezes, superando em partes o modelo de educação ao qual as famílias e a escola estão acostumados. Há um provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia toda para educar uma criança.  

Quando era criança lembro com saudades de alguns conselhos do meu pai e, inclusive, de uma metáfora, da escada, que ele usava para mostrar as dificuldades que eu teria no futuro e como deveria me preparar para enfrentá-los. Comparava as fases da vida com os degraus. Dizia que bastava um bom preparo, energia, disposição, honestidade e vontade para vencer que eu chegaria lá. O que meu pai talvez não previsse ou se esqueceu de me avisar é que esta escada é rolante e corre no sentido inverso do que subimos. Também acredito que meu pai não previa que a velocidade desta escada aumentasse a cada período, exigindo de mim e de todos os meus colegas desta geração um esforço muito maior para galgar cada degrau. Este é o desafio nosso: preparar nossos jovens para galgarem os novos degraus. Isso exige desenvolver uma consciência mais crítica para que os jovens possam repensar e, se possível, assumir parcialmente o controle da escada. O que sentimos neste mundo é que o motor está programado para um aumento sucessivo e constante da velocidade e que ninguém mais tem a senha do sistema para mudar a programação. 

Esse é também um dilema que vivem os educadores. Preparar os jovens, desenvolvendo mais potência e mais força para subir e galgar mais degraus.

Renato Casagrande é presidente do Instituto Casagrande. É conferencista, palestrante, escritor, pesquisador e consultor em Educação, Gestão e Liderança no Ambiente Educacional. Também é autor de livros e artigos. É mestre e bacharel em Administração e licenciado em Matemática.

3 respostas
  1. Maria Suelene dos Santos
    Maria Suelene dos Santos says:

    Educação de crianças e jovens hoje é uma grande preocupação ,uma vez que a família principal berço da educação parece não está tendo devida atenção aos mesmos .As famílias hoje em dia muitas vezes dão telefone para as crianças desde cedo para que as mesmas não tenham trabalho de brincar e conversar com elas .Uma grande maioria dos jovens não respeitam conceitos e orientações dos pais muitos ingressam no mundo das drogas, alcoolismo, violência desde de cedo . Muitos lares não tem regras tudo é normal, tudo pode, muitas vezes são os próprios filhos é quem dita as normas dentro da casa.

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  2. Maria Aldereda Vieira de Miranda
    Maria Aldereda Vieira de Miranda says:

    Excelente texto professor! Se antes desta pandemia já sentíamos a ausência dos pais na educação dos filhos, agora ficou mais complicado para estas crianças. Pois antes eles tinham os professores, os coordenadores, os orientadores e todos que fazem parte da educação para minimizar essas ausências. Hoje vivem pendurados em seus smartphones , tabletes…distanciando-se cada vez mais da estrutura familiar.

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  3. JOSÉ FRANCISCO MADRUGA DA CONCEIÇÃO
    JOSÉ FRANCISCO MADRUGA DA CONCEIÇÃO says:

    Excelente artigo, pois estamos vivendo e convivendo com um novo, que certamente permanecerá para sempre, temos urgência em nos qualificarmos para esse enfrentamento usando novas tecnologias ativas e conviver melhor com as pessoas e alunos.

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