Por Profa. Cristiamari Carvalho

Geralmente somos motivados a duvidar das nossas certezas em um momento de crise, porque somos provocados a fazer o movimento da mudança, de arriscar e experimentar. A minha primeira crise profissional foi gerada logo após minha formatura, em 1993, quando o Brasil vivenciou o primeiro impeachment do então Presidente da República. A indústria estava com péssimos indicadores de desempenho, a economia nacional registrava hiperinflação, a taxa de desemprego era altíssima, enfim, as perspectivas profissionais para uma recém-formada eram muito ruins. 

Minha melhor oportunidade profissional, um ano após me formar em Química Industrial, surgiu com a escassez de professor de Química nas redes pública e privada. Recebi um convite que inicialmente caiu como um desastre: participar de uma entrevista de emprego em uma escola privada de Curitiba para lecionar essa disciplina. Porém, a crise traz a necessidade de olharmos caminhos não planejados, de abrirmos portas que ainda não temos a chave. Ainda bem que eu tive a coragem de entrar. 

Um dos principais fatores que me fizeram escolher a graduação em Química Industrial aos 18 anos foi o de não seguir a carreira dos meus pais, ambos professores. Eu conhecia muito bem a rotina de um professor – dentro e fora de casa. Preparar aula, corrigir provas, lançar nota, preencher diário de classe, entre outras atividades extraclasse que limitavam nossas viagens e feriados, passeios no final de semana e até mesmo a convivência entre pais e filhos. Além disso, greves e falta de pagamento também eram constantes naquela época. 

Mas, como posso explicar essa contradição de não escolher a profissão de docente na minha formação, e, atualmente ter 25 anos de carreira profissional como professora e gestora escolar de sucesso? O que parecia impossível aos meus 18 anos, hoje, aos 48, é propósito de vida. 

Na crise, aceitei abrir essa porta. Em 1994, assumi minha primeira classe com alunos do Ensino Médio Supletivo, lecionando para jovens e adultos do ensino noturno. Eram somente 3 turmas no primeiro semestre. Que paixão avassaladora! Esse sentimento realizador me impulsionou a naquele mesmo ano assumir mais 10 turmas no Ensino Regular e me tornar uma professora plena e realizada, sem qualquer ensaio. 

Minha mãe ainda fez uma tentativa e me perguntou no final daquele ano, quando você vai trabalhar na sua área? Mas isso é uma outra provocação que podemos conversar na próxima leitura. 

Ser professora é uma delícia. Permita-se! 

1 responder
  1. Valdirene Mendonça Stábile Galante
    Valdirene Mendonça Stábile Galante says:

    Como ler o relato da Professora Cristiamari e não compartilhar o meu? Iniciei como professora de EJA para Alfabetização de Adultos, uma paixão: pelos alunos e suas histórias e por ensinar e aprender com eles. Fiquei 15 anos com EJA, 13 deles concomitante com turmas de alfabetização de pequenos (outra paixão)… Acho que aproveitei muito estas fases antes de assumir a direção de escola, onde estou desde 2014. As experiências anteriores me fizeram querer o melhor de mim para a função que estou exercendo… Cada progresso, cada vitória passa a não ser minhas mas de toda a escola, que prazer tudo isso!!!

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