Por Renato Casagrande

Tenho tido algumas certezas nesses últimos dias. Uma delas é que a expressão “educação a distância” está com os dias contados. Em breve ficará meio démodé nos referirmos a educação mediada por tecnologias como “educação a distância” ou EAD. Essa expressão carregada de demérito, de preconceito e de estigmas vai em breve para o lixo. Não falaremos mais em EAD, falaremos em educação em qualquer tempo, em qualquer hora e em qualquer lugar. Falaremos em educação e tecnologia. Falaremos de educação. Ponto. 

Mas, não se trata apenas de mudança de nome. O título deste artigo eu fiz com um propósito, o de despertar sua curiosidade sobre o tema. É brincadeira, desculpe-me! Realmente queria chamar sua atenção para um fato que vai mudar drasticamente o processo de ensino e aprendizagem nas nossas instituições educacionais. 

Estamos vivendo dias de experimentação e quebra de paradigmas. Estamos vendo nascer de fato uma nova educação. Sem estigmas, preconceitos ou resistência, estamos abraçando e fazendo as pazes com as novas tecnologias. Estamos, nós educadores, entendendo que podemos dar passos largos em direção a um futuro e com muito mais certeza de que conseguiremos chegar “com qualidade” a lugares que pelos métodos tradicionais nunca conseguiríamos. 

A educação, principalmente no ensino médio e superior, não será mais a mesma após a triste pandemia que vivemos. Professores que até 15, 20 dias atrás não tinham a mínima noção e nem interesse em interagir com seus alunos por meio de tecnologias, se viram ameaçados na sua função. O computador que entrou pela porta dos fundos na escola, agora, em formato de smartphone, tablet ou notebook, em poucos dias tornou-se o maior aliado dos educadores. 

Professores da educação básica e mesmo do ensino superior foram forçados rapidamente a se aliarem e usarem as tecnologias em suas aulas. E o que é mais surpreendente: estão gostando. Sim, e não são poucos os professores. Os mesmos que pestanejavam para as tecnologias agora me dizem que estão se divertindo e encontrando novos “sabores” em suas aulas. Até professora de pijama já vi dando aula. Também vejo muitos professores estufarem o peito para falar: hoje #somostodosdigitais. Os poucos professores que ainda não entenderam ou que ainda insistem em não entender ficarão à margem da estrada. O trem bala está passando. 

Nada será como antes. Como o homeworkdeve ganhar protagonismo nas empresas em geral, a educação mediada por tecnologias também entrará de vez nas escolas e nas universidades no período pós-isolamento. É uma nova relação. É uma nova história. 

Associada às questões da resistência e da falta de hábito ou da própria competência em lidar com as novas tecnologias, na educação temos as questões econômicas que vão imperar de forma drástica no período pós-isolamento social. Viveremos anos de longas crises e cada “tostão” a ser gasto ou investido pelo governos, pais e alunos terá que ter um grande retorno. E aí a educação não presencial, híbrida ou mediada por novas tecnologias também contribuirá muito. A educação, quando produzida em escala, é muito mais barata. E a única ou a melhor forma de produzirmos em escala é com o auxílio das tecnologias. Ela alcança os alunos em qualquer lugar e em qualquer hora. 

Por fim, não tem e não terá mais sentido jovens se deslocarem de um canto para outro e se amontoarem em salas de aulas com até 100 alunos (realidade em muitas IES, por exemplo) para assistirem suas aulas. Quando tudo voltar ao normal, o normal não vai ser a aula presencial. Isso não significa que as aulas serão todas não presenciais. Estudos e pesquisas já nos mostram há tempos que o que funciona mesmo é o hibridismo. Ou seja, os alunos assistem às aulas e fazem atividades não presenciais, e também têm momentos presenciais com professores e colegas. Essa junção da presencialidade e não presencialidade já tem dado bons resultados na educação superior, principalmente nas grandes IES, e agora deve avançar a passos largos em todas as instituições de educação superior, de ensino médio e até do fundamental, principalmente dos anos finais. 

Não é simples, nem fácil, mas é possível, é eficiente e dá resultados. Temos muito a aprender sobre educação e tecnologia. Mas, temos muitos trabalhos científicos, muitas pesquisas, muitos estudos que agora serão mais valorizados e nos ajudarão a aperfeiçoar o processo que ainda é bem amador. Temos bastante a aperfeiçoar e muito a crescer, mais a largada foi dada. Os que não entenderem isso ficarão para trás. É um caminho sem volta.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Jornal Gazeta do Povo, disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/educacao-e-midia/o-fim-da-educacao-a-distancia/

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