Por Renato Casagrande

Esta é uma pergunta que não quer – nem pode – calar! Fato é que, quanto mais pesquisas são realizadas com escolas e professores, principalmente sobre a aprendizagem dos alunos, mais nos entristecemos e nos decepcionamos com os resultados do ensino remoto iniciado em 2020. Mas, o que deu errado? Por que aquela empolgação inicial não conseguiu perdurar por mais de um ano, mesmo parecendo haver uma solução educacional que nos traria proveitos? Minha intenção, aqui, é revelar o que tenho observado e – amparado pelo muito que tenho pesquisado e estudado – até antecipara que poderia acontecer. Sim, por mais que eu tenha incentivado gestores e me dedicado com entusiasmo à preparação de professores, especialmente os da Educação Básica, para a hercúlea missão de ensinar alunos a distância, de certa forma, já esperava que os resultados não seriam nada promissores…

Não quero dizer, com isso, que o ensino não presencial, o ensino remoto e a educação híbrida não sejam eficazes ou que não funcionam na Educação Básica. Longe disso! Tenho constatado que muitas escolas e muitos professores vêm obtendo bons resultados ao praticarem um ensino remoto de qualidade e, mais recentemente, já há quem trabalhe com a educação híbrida efetiva, que gera índices satisfatórios de aprendizagem. No entanto, o número de escolas/alunos que realmente não alcançam bons resultados tem sido maior do que o dos grupos de sucesso. Por que alguns os atingem e outros, não?

A primeira resposta válida que ocorre a todos é que muitas famílias, professores e, claro, alunos sequer têm acesso à internet ou que a sua conexão é de baixa qualidade e há, ainda, os casos de equipamentos que são precários demais para cumprirem o seu papel com excelência. Tais fatos vêm associados à falta das mínimas condições para certos alunos estudarem em casa: espaço físico inadequado, ambiente familiar desfavorável, falta de apoio dos familiares e etc. consequentemente, a concentração do aluno fica comprometida e ele não tem motivação para se dedicar aos estudos.

Saber estudar não é uma competência obtida de graça: não surge espontaneamente para a grande maioria das crianças e dos adolescentes, pois é penosa, exige renúncia e demanda uma boa dose de dedicação e esforço. Por isso, os estudantes precisam ser orientados, incentivados e conduzidos por atividades que os levem à aprendizagem. Sem esses cuidados, temos visto milhares de crianças e adolescentes se perdendo pelo caminho por falta de condições adequadas para o seu desenvolvimento, o que também explica o alto percentual de alunos em situação de fracasso escolar por não terem conseguido aprender e que, por isso, abandonam a escola por um período longo de tempo ou evadem-se em definitivo.

E o que tem sido observado na outra parcela bastante significativa de alunos, aqueles que têm internet e condições de estudar em casa, cujas aulas foram transmitidas por plataformas de educação a distância e com professores que ministraram aulas com cronograma muito similar ao da escola dos tempos de educação presencial? Esses alunos aprenderam?

Importantes estudos nacionais e internacionais indicam que somente um baixo número de estudantes desse grupo conseguiu bons resultados. Muito em razão do despreparo pedagógico que alimentou uma falsa ideia: a de que os mesmos métodos e as mesmas técnicas que o professor utiliza nas aulas presenciais podem ser transplantados para o ensino remoto. Ledo engano! Dar as antigas aulas expositivas via Internet não combina com as crianças e os adolescentes de hoje. Alguém pode até dizer que dão certo para certos indivíduos; certamente, contudo, não servem para a maioria. E, como isso não funciona, fracassamos! Os sistemas estaduais, que são grandes e complexos, foram os primeiros a apresentarem soluções tecnológicas mais avançadas. Agora, contudo, são também os primeiros a constatarem seu insucesso.

O ensino remoto vem dando lugar à educação híbrida, mas ambos exigem

uma série de combinações de metodologias e tecnologias para que a aprendizagem aconteça. Não basta o professor ligar o seu computador, ter webcam com alta resolução e boa Internet; nem mesmo se ele conseguir cumprir a carga horária planejada poderá considerar que sua missão foi cumprida! Não…

O ensino remoto (que funcionou de modo emergencial) e a educação híbrida (que já está funcionado) são modalidades nas quais o professor precisa utilizar-se de múltiplos meios para que o aluno construa suas aprendizagens. Os alunos que obtiveram os melhores resultados aprenderam organizando suas rotinas, brincando, cozinhando, escrevendo e desenvolvendo muitas atividades ´mão na massa´, planejadas, organizadas e promovidas pelos professores. As atividades exitosas foram muito além das aulas transmitidas por plataformas on-line, pois tecnologia é simplesmente um meio.

Como mídia, tecnologia não dá resultados se não houver ótimos professores planejando, organizando, preparando, curando e ministrando as aulas, orientando os alunos para uma aprendizagem por intermédio de metodologias ativas e novas técnicas, que sejam adequadas a estes novos tempos e novos desafios, às novas exigências e aos novos alunos.

Concluo a minha reflexão, então, dizendo: quem fracassou e perdeu foi quem acreditou que fazer uso de tecnologia associada à Internet para mera transmissão de aulas remotas pelo computador seria garantia de um nível adequado de aprendizagem. Esses, erraram feio!

Acertaram os gestores e as escolas que apostaram nos professores, preparando-os para o novo momento da Educação, incentivando-os diariamente, pois o momento pode até prescindir de novas tecnologias, mas jamais poderá abrir mão dos professores que se desdobram para fazer diferente, fazendo melhor.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Estadão, disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-fracasso-do-ensino-remoto-no-brasil-onde-erramos/

Por Renato Casagrande

“O Brasil está entre os últimos no ranking da educação mundial, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgado no último dia 3, e isso nem é mais novidade. É duro, mas a constatação é de que a educação pública do país está estagnada. Onde estamos errando? Por que não conseguimos avançar? 

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o governo brasileiro tem buscado melhorar a educação. O Brasil mantém um nível de investimento na área equivalente à média dos países da OCDE e, desde a redemocratização, vem alinhando pouco a pouco suas políticas educacionais às práticas internacionais. Mas a qualidade da aprendizagem permanece muito abaixo da média, como os resultados do Pisa vêm demonstrando edição após edição. E como enfrentar este problema? 

O primeiro passo é identificar as causas para o baixo nível de aprendizagem dos nossos alunos e definir uma estratégia que possa nos levar a uma mudança neste cenário. 

Ao longo dos meus 30 e poucos anos no magistério, trabalhando como professor, gestor e pesquisador, concluí que os principais entraves para a obtenção de melhores resultados são: a situação em que se encontram os professores da escola pública; o baixo envolvimento e participação das famílias no processo de aprendizagem dos estudantes; e a precariedade das escolas e do modelo educacional vigente. 

Em alguns dos estudos que realizei sobre a rede pública de ensino, identifiquei que o principal problema de seus professores é a baixa motivação. Há um mal-estar generalizado no ambiente público de ensino que os afeta. Essa desmotivação é explicada pela baixa valorização da carreira, pelos baixos salários (o professores brasileiros ganham, em média, o equivalente a 40% do salário médio dos professores nos países da OCDE), pela violência que cerca as escolas, pela dificuldade de lidar com o perfil dos atuais alunos e pelos problemas sociais que os professores precisam enfrentar no seu cotidiano. 

Além disso, como já dizia o ex-ministro da Educação Henrique Paim, o maior gargalo da educação brasileira é a formação dos professores. Estes saem das universidades cada vez menos preparados para atuar numa sala de aula. A formação é ineficiente e fora da realidade, carregada de abstrações e com pouca prática. Soma-se a isso o fato de que a maioria dos estudantes que procura o magistério é composta por alunos que tiveram desempenho sofrível no ensino médio. Estudos recentes mostram que tanto a nota de corte do Enem dos ingressantes quanto a nota do Enade dos concluintes dos cursos de licenciatura — que preparam para a atividade docente em áreas como português, matemática e história — é inferior à média registrada por todos os cursos universitários. 

O segundo fator que impede o avanço está relacionado às famílias, principalmente aos pais, que, na grande maioria dos casos, não ajudam, não cobram e nem apoiam os gestores e professores na promoção de uma educação de qualidade. Dos pais que têm seus filhos nas escolas públicas, cerca de 70% não têm ensino fundamental completo. Fica difícil para eles de fato contribuírem, palpitarem e até brigarem por uma educação melhor. O que é triste é que a maioria está, inclusive, satisfeita com a escola que aí está. 

O terceiro fator tem a ver com a escola em si, sua infraestrutura física e tecnológica, extremamente inadequada para a realidade de hoje. Enquanto muitas escolas particulares atacaram esses problemas com altos investimentos, no setor público ainda encontramos escolas que nos remetem ao século passado, com uma precariedade que dá dó. 

Enfim, são tantos os problemas e desafios com os quais temos de lidar que eu poderia ficar aqui discorrendo horas e horas. Sinceramente, acredito que não conseguiremos sair dessa estagnação se não tivermos um projeto revolucionário para a educação. Um projeto que consiga resgatar a autoestima do professor, que transforme gestores em líderes, que consiga envolver os pais e famílias e que reinvente a escola pública no Brasil. E esse projeto deve ser de todos. 

A sociedade civil precisa abraçar essa causa. Colocar toda a culpa nos governos ou deixar tudo na mão deles tem sido o nosso principal erro estratégico como sociedade. Afinal, os maus resultados estão aí.  Se não fizermos um verdadeiro mutirão, tenho certeza de que daqui há 20 anos estaremos novamente discutindo o mesmo tema. E, provavelmente, o tempo não será generoso com nossa inércia. Até quando podemos esperar? Até quando vamos aguentar? 

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Jornal Gazeta do Povo, disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/educacao-e-midia/sobre-o-pisa-projeto-para-educacao-brasileira-e-urgente/

Por Renato Casagrande

Tenho tido algumas certezas nesses últimos dias. Uma delas é que a expressão “educação a distância” está com os dias contados. Em breve ficará meio démodé nos referirmos a educação mediada por tecnologias como “educação a distância” ou EAD. Essa expressão carregada de demérito, de preconceito e de estigmas vai em breve para o lixo. Não falaremos mais em EAD, falaremos em educação em qualquer tempo, em qualquer hora e em qualquer lugar. Falaremos em educação e tecnologia. Falaremos de educação. Ponto. 

Mas, não se trata apenas de mudança de nome. O título deste artigo eu fiz com um propósito, o de despertar sua curiosidade sobre o tema. É brincadeira, desculpe-me! Realmente queria chamar sua atenção para um fato que vai mudar drasticamente o processo de ensino e aprendizagem nas nossas instituições educacionais. 

Estamos vivendo dias de experimentação e quebra de paradigmas. Estamos vendo nascer de fato uma nova educação. Sem estigmas, preconceitos ou resistência, estamos abraçando e fazendo as pazes com as novas tecnologias. Estamos, nós educadores, entendendo que podemos dar passos largos em direção a um futuro e com muito mais certeza de que conseguiremos chegar “com qualidade” a lugares que pelos métodos tradicionais nunca conseguiríamos. 

A educação, principalmente no ensino médio e superior, não será mais a mesma após a triste pandemia que vivemos. Professores que até 15, 20 dias atrás não tinham a mínima noção e nem interesse em interagir com seus alunos por meio de tecnologias, se viram ameaçados na sua função. O computador que entrou pela porta dos fundos na escola, agora, em formato de smartphone, tablet ou notebook, em poucos dias tornou-se o maior aliado dos educadores. 

Professores da educação básica e mesmo do ensino superior foram forçados rapidamente a se aliarem e usarem as tecnologias em suas aulas. E o que é mais surpreendente: estão gostando. Sim, e não são poucos os professores. Os mesmos que pestanejavam para as tecnologias agora me dizem que estão se divertindo e encontrando novos “sabores” em suas aulas. Até professora de pijama já vi dando aula. Também vejo muitos professores estufarem o peito para falar: hoje #somostodosdigitais. Os poucos professores que ainda não entenderam ou que ainda insistem em não entender ficarão à margem da estrada. O trem bala está passando. 

Nada será como antes. Como o homeworkdeve ganhar protagonismo nas empresas em geral, a educação mediada por tecnologias também entrará de vez nas escolas e nas universidades no período pós-isolamento. É uma nova relação. É uma nova história. 

Associada às questões da resistência e da falta de hábito ou da própria competência em lidar com as novas tecnologias, na educação temos as questões econômicas que vão imperar de forma drástica no período pós-isolamento social. Viveremos anos de longas crises e cada “tostão” a ser gasto ou investido pelo governos, pais e alunos terá que ter um grande retorno. E aí a educação não presencial, híbrida ou mediada por novas tecnologias também contribuirá muito. A educação, quando produzida em escala, é muito mais barata. E a única ou a melhor forma de produzirmos em escala é com o auxílio das tecnologias. Ela alcança os alunos em qualquer lugar e em qualquer hora. 

Por fim, não tem e não terá mais sentido jovens se deslocarem de um canto para outro e se amontoarem em salas de aulas com até 100 alunos (realidade em muitas IES, por exemplo) para assistirem suas aulas. Quando tudo voltar ao normal, o normal não vai ser a aula presencial. Isso não significa que as aulas serão todas não presenciais. Estudos e pesquisas já nos mostram há tempos que o que funciona mesmo é o hibridismo. Ou seja, os alunos assistem às aulas e fazem atividades não presenciais, e também têm momentos presenciais com professores e colegas. Essa junção da presencialidade e não presencialidade já tem dado bons resultados na educação superior, principalmente nas grandes IES, e agora deve avançar a passos largos em todas as instituições de educação superior, de ensino médio e até do fundamental, principalmente dos anos finais. 

Não é simples, nem fácil, mas é possível, é eficiente e dá resultados. Temos muito a aprender sobre educação e tecnologia. Mas, temos muitos trabalhos científicos, muitas pesquisas, muitos estudos que agora serão mais valorizados e nos ajudarão a aperfeiçoar o processo que ainda é bem amador. Temos bastante a aperfeiçoar e muito a crescer, mais a largada foi dada. Os que não entenderem isso ficarão para trás. É um caminho sem volta.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Jornal Gazeta do Povo, disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/educacao-e-midia/o-fim-da-educacao-a-distancia/

POR CAROLINA DELBONI 08/06/2020

Escolas têm se adaptado as necessidades da vida de forma contínua e têm se visto frente a mudanças ainda maiores durante a pandemia. Saiba quais são os 9 desafios

Não é de hoje que a Educação brasileira precisa se repensar, se reinventar. Quantas coisas não fazem mais sentido existir dentro de uma escola e quantas outras são mais que urgentes de serem levadas à sala de aula. A vida que crianças e adolescentes vivem do lado de fora das escolas precisa existir lá dentro. Professores e educadores precisam, pra ontem, olhar a vida e fazer conexões entre disciplinas e conteúdos. A matemática e a língua portuguesa precisam ser maiores que a simples necessidade de uma nota boa no ENEM. Junte a esta crise, a pandemia do COVID-19 e os desafios que a Educação Básica brasileira está enfrentando pra pensar em futuro.

Começamos 2020 com um desafio que era o de iniciar a implementação das mudanças que pede a nova Base Nacional Curricular Comum. O desafio já era grande o suficiente para 99% das escolas brasileiras que vivem com suas diversidades e dificuldades tão singulares, neste país. Não bastasse, adicionamos uma pandemia e os contratempos que vieram junto dela.

“Costumávamos dizer que tínhamos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”, fala Renato Casagrande, consultor em Educação, Gestão e Liderança no Ambiente Educacional. E frente a pandemia, as escolas se mobilizaram rapidamente e, eu diria, já se transformaram. Impossível se adaptar a tantas mudanças e não se reinventar. Ainda que este processo seja inconsciente, certamente, acelerou o embrião de algo a nascer.

E quais são os desafios da Educação Básica brasileira em tempos de Covid-19? Renato Casagrande conversa com o Estadão sobre alguns deles.

O formato da escola digital trouxe as famílias pra bem perto do contexto escolar. O que se observa desta relação?
Casagrande: “Muitos pais estão surpresos com o comportamento positivo ou negativo dos seus filhos, assim como estão surpresos com o trabalho desenvolvido pelos professores, gestores e escolas. Sentimos que os pais estão valorizando muito mais esses papéis. Isso não significa que não haja críticas, muito pelo contrário. Conforme os pais vão participando mais, as críticas se tornam naturais e são elas que estão ajudando os professores e gestores a encontrarem caminhos que venham ao encontro de muitas expectativas e que sejam, minimamente, satisfatórias no que tange à aprendizagem dos alunos”.

Quais contribuições já podem ser vistas de forma positiva pelas escolas?
Casagrande: “Os professores começaram a perceber as contribuições fantásticas que as tecnologias podem oferecer à educação, assim como faz há tempos em outros setores da sociedade. Entre tantas possibilidades, utilizam os motores de buscas inteligentes, a partir de comandos verbais que utilizam a comunicação natural e a tradução multilingual simultânea. Utilizam em suas aulas textos com hyperlink que têm permitido a qualquer momento que seus alunos se desloquem para lugares ou para o contato com informações diversas. As aulas se tornaram mais atraentes. Muitos professores e alunos estão trabalhando de forma satisfatória com o uso de recursos tecnológicos em substituição às tradicionais salas de aula”.

O que isso significa para os professores?
Casagrande: “O professor está num processo de quebra de paradigmas, de redução de estigmas e preconceitos e passando a encarar uma nova forma de ensinar, não mais centrada na sala de aula e nem nos métodos de ensino até então utilizados com relativo sucesso. Aquilo que era proclamado já em estudos de um ensino mais personalizado, em que o aluno se torna protagonista do seu processo de aprendizagem, encontra nesse momento um espaço de desenvolvimento. Os professores precisam começar a entender que o momento atual, e o que se antevê, exigem muito mais de aula que o fato de ser síncrona (ao vivo) ou assíncrona (atividades não ao vivo). A educação não presencial permite explorar múltiplas possibilidades de ensino”.

E que mudanças pode-se observar nos alunos?
Casagrande: “O papel do aluno de sujeito passivo para sujeito ativo, visto que um dos modelos de aula não presencial mais bem sucedido é aquele que tem combinado atividades dos professores ao vivo, aulas gravadas, indicações de vídeos, textos, músicas e outros recursos e o desenvolvimento por parte de alunos de projetos, inclusive de forma cooperada com outros colegas por meio, e com o auxílio, das novas tecnologias de comunicação. Essa mudança vai ao encontro de estudos realizados pelo pesquisador Scott Freeman e um grupo de colegas professores da Universidade de Washington, que revelaram que abordagens de ensino que transformam os alunos em participantes ativos, em vez de apenas ouvintes, reduzem consideravelmente as taxas de reprovação em função de uma aprendizagem mais efetiva”.

O que pode ser um “novo momento” para as escolas?
Casagrande: “Diferentemente do que alguns educadores e até pais pensavam, o ensino remoto ou as atividades a distância na Educação Básica não serão tão breves e nem se trata de modismo. A educação não presencial deverá perdurar por um período considerável e a educação mediada por tecnologias, como as que estamos presenciando neste momento, deverão se fazer presentes nas escolas e nas aulas a partir de agora, independentemente da pandemia e da crise da Covid-19. O que sabemos de antemão nos leva a um terceiro momento, que é a convivência com o ensino híbrido. Essa parece ser uma tendência inevitável”.

O que deve perdurar com a volta presencial dos alunos, às escolas?
Casagrande: “Todas essas mudanças vividas nas fases anteriores terão nos transformado. Será impossível voltarmos ao ponto de partida. Alunos, pais e professores estarão vivendo e acostumados a uma nova realidade, a do ensino mediado por tecnologias. Entraremos nessa fase ávidos e ansiosos pelo contato pessoal, pelas relações humanas, pelos abraços, pelas rotinas presenciais. No entanto, não deixaremos de lado nossos aliados em todas aquelas difíceis fases vividas. Já teremos aprendido que é possível e eficaz utilizar recursos tecnológicos disponíveis na atualidade”.

E isso exige algo dos professores e das instituições escolares?
Casagrande: “Grandes demandas se voltam para a formação dos professores. É preciso que os sistemas e as redes responsáveis deem ênfase a três aspectos, que se colocam neste momento como prioritários: o primeiro está associado ao uso das tecnologias. É preciso ensinar o professor, de fato, desenvolver novas metodologias de ensino. Muitos dos desafios anteriormente pontuados são minimizados quando há a implantação de uma metodologia adequada de ensino remoto ou ensino híbrido”.

“O segundo aspecto a ser considerado se refere à avaliação da aprendizagem. Num processo de ensino remoto ou híbrido, essa avaliação torna-se muito mais difícil. Por mais que adotemos jogos, quizzes e outras estratégias de avaliação disponíveis em plataformas na internet sabemos que nada se compara à observação direta do professor em sala de aula ao longo de um período letivo. O contato com o aluno, o fazer pedagógico do dia a dia do professor é ainda o método mais eficaz de avaliação da aprendizagem”.

“O terceiro e último aspecto se refere às questões socioemocionias. Se antes já precisávamos nos dedicar a elas, agora isso se torna imprescindível. Questões como cativar, motivar, garantir a resiliência dos alunos são básicas para um programa de formação que esteja atrelado à nova realidade da escola. Se já falávamos no desenvolvimento de competências socioemocionais, agora, com o advento de toda essa crise vivida, o professor precisa ter capacidade para lidar com essas competências em um ambiente de peso histórico”.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Estadão, disponível em: https://emais.estadao.com.br/blogs/kids/9-desafios-da-educacao-basica-brasileira-em-tempos-de-covid-19/

Por Renato Casagrande

Portugal elevou sua educação às melhores do mundo. Por incrível que pareça, não foi com muito dinheiro, pelo contrário, foi com pouco dinheiro, mas muito empenho. Para nos causar um pouco de inveja (como costumamos dizer ‘invejinha boa”), Portugal conseguiu ficar acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, organização também conhecida como “clube dos ricos”) nos domínios avaliados pelo Pisa: ciências, leitura e matemática, destacando-o como o único país do continente que conseguiu melhorar seu desempenho anualmente.  

A colocação final dos alunos portugueses foi 17º lugar em ciências, 18º em leitura e 22º em matemática – o que tem posicionado o país entre os melhores do mundo.  

Como retratou muito bem a jornalista Carolina Pezzoni, numa matéria da BBC News Brasil, nem mesmo nos períodos mais duros da última grande crise, com a redução de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia, essa evolução cessou. 

Eu, particularmente, tenho tido a oportunidade nos últimos cinco anos de estar em Portugal uma ou duas vezes por ano, o que de fato me faz constatar in loco essa realidade. E o que explica ou justifica isso? 

Alguns fatos que se destacam é que se há uma receita portuguesa para a evolução na educação, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organização da sociedade, nos fazendo refletir que as pessoas esquecem-se que educação é muito mais do que escola. É preciso olhar para a escola dentro da educação. 

A partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crianças em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crianças que estão hoje na escola são a primeira geração escolarizada, sendo considerado como um dos indicadores de maior influência no rendimento escolar, ou seja, a escolarização dos pais.   

Outra questão que é identificada é que as instituições públicas portuguesas são bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espaço para crítica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferenças estão, por exemplo, mais na importância dada às atividades orientadas à recuperação, na atenção às relações pedagógicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno. 

Mas, nem tudo “são flores” “em Portugal. Apesar de estar entre os melhores do mundo pelo PISA, ainda está distante do desempenho dos sistemas educacionais de referência globais, como Cingapura, Finlândia, Hong Kong, Canadá e Suíça. 

Assim, apesar dos resultados positivos, há consenso de que ainda há muito a melhorar. A recomendação do professor António Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, é ter prudência na leitura dos dados. 

“O Pisa traduz uma boa evolução, mas não uma boa colocação: Portugal está apenas ligeiramente acima da média da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano”, afirma o professor. No entanto, ele concorda que não é por acaso que o país demonstra avanços no estudo – e que isso merece ser reconhecido. 

No que tange os docentes, há muitas variantes e nenhuma dúvida de que é preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal é o envelhecimento desta população, transformando num dos grandes problemas a ser enfrentado pelas lideranças educacionais daquele País.  De acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino básico e secundário têm menos de 30 anos e 38% têm 50 anos ou mais – um aumento de 16% entre 2005 e 2016. 

Isso gera mais um desafio à ação escolar: a desmobilização e a resistência à inovação. Uma das queixas são as mudanças repentinas feitas pelo Ministério da Educação, causando, a médio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em relação à implementação de mudanças. 

Existe também um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profissão, como acontece no Brasil.  Segundo as últimas conclusões do Education at a Glance, o salário está compatível com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, até acima da média dos outros países. O que torna a formação inicial menos atraente aos jovens é a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tendência é o desemprego, os jovens não escolhem a carreira. 

Enfim, como nós no Brasil, Portugal tem muitos desafios e barreiras a serem superadas, mas com certeza, já avançaram muito e tem muito a nos ensinar. Vale a pena ficarmos de olho e buscarmos neste País irmão inspiração para avançarmos com mais velocidade na melhoria da nossa educação. 

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

Por Profa. Cristiamari Carvalho

Geralmente somos motivados a duvidar das nossas certezas em um momento de crise, porque somos provocados a fazer o movimento da mudança, de arriscar e experimentar. A minha primeira crise profissional foi gerada logo após minha formatura, em 1993, quando o Brasil vivenciou o primeiro impeachment do então Presidente da República. A indústria estava com péssimos indicadores de desempenho, a economia nacional registrava hiperinflação, a taxa de desemprego era altíssima, enfim, as perspectivas profissionais para uma recém-formada eram muito ruins. 

Minha melhor oportunidade profissional, um ano após me formar em Química Industrial, surgiu com a escassez de professor de Química nas redes pública e privada. Recebi um convite que inicialmente caiu como um desastre: participar de uma entrevista de emprego em uma escola privada de Curitiba para lecionar essa disciplina. Porém, a crise traz a necessidade de olharmos caminhos não planejados, de abrirmos portas que ainda não temos a chave. Ainda bem que eu tive a coragem de entrar. 

Um dos principais fatores que me fizeram escolher a graduação em Química Industrial aos 18 anos foi o de não seguir a carreira dos meus pais, ambos professores. Eu conhecia muito bem a rotina de um professor – dentro e fora de casa. Preparar aula, corrigir provas, lançar nota, preencher diário de classe, entre outras atividades extraclasse que limitavam nossas viagens e feriados, passeios no final de semana e até mesmo a convivência entre pais e filhos. Além disso, greves e falta de pagamento também eram constantes naquela época. 

Mas, como posso explicar essa contradição de não escolher a profissão de docente na minha formação, e, atualmente ter 25 anos de carreira profissional como professora e gestora escolar de sucesso? O que parecia impossível aos meus 18 anos, hoje, aos 48, é propósito de vida. 

Na crise, aceitei abrir essa porta. Em 1994, assumi minha primeira classe com alunos do Ensino Médio Supletivo, lecionando para jovens e adultos do ensino noturno. Eram somente 3 turmas no primeiro semestre. Que paixão avassaladora! Esse sentimento realizador me impulsionou a naquele mesmo ano assumir mais 10 turmas no Ensino Regular e me tornar uma professora plena e realizada, sem qualquer ensaio. 

Minha mãe ainda fez uma tentativa e me perguntou no final daquele ano, quando você vai trabalhar na sua área? Mas isso é uma outra provocação que podemos conversar na próxima leitura. 

Ser professora é uma delícia. Permita-se! 

Por Josemary Morastoni

Nossa sociedade vem atravessando um momento turbulento em função da pandemia, e, este movimento atingiu em cheio a educação. Mudamos o formato das aulas, num primeiro momento, imaginando ser um plano provisório. Mas, após um ano, observamos que este movimento está mais consistente e com a tendência de permanecer. Ainda assim, não estamos com o preparo necessário e num cenário cheio de incertezas. Nesta perspectiva, vamos abordar cinco grandes desafios e as estratégias para se sair bem dessas situações:

1. A comunidade escolar deposita todos os votos de esperança no gestor

            Como já sabemos, o trabalho do gestor escolar não é uma tarefa fácil em momentos de normalidade, e, com o cenário atual, essa complexidade se potencializou. Com todas as atribuições já conhecidas, o gestor também precisou buscar novos conhecimentos principalmente na área da saúde e estar muito alinhado com os protocolos de segurança e saúde e decretos estaduais e municipais.  Além disso, outro papel do gestor que tomou corpo neste período é o de “Salvador da Pátria” como a figura que transmite segurança para as famílias, estudantes e professores. Contudo, a grande maioria das ações que a escola executa neste período são deliberações das autoridades sanitárias e do Poder Executivo, logo, o gestor é apenas um executor destes protocolos. Portanto, ele precisa saber buscar as informações corretas, nos lugares corretos e deixar claro que é seu papel cumpri-las, e não deliberar sobre elas. Outro ponto importante, é manter seu equilíbrio psicológico, tanto para não ser cobrado por questões que transcendem suas ações, como para não se cobrar demais pelo mesmo motivo.

2. Educação e tecnologia

Neste momento, as tecnologias estão em alta na educação. Mesmo entendendo que é apenas um período, tudo indica que elas vieram para ficar, mas, tanto a estrutura quanto formação de quem atua na Educação Básica, estão sem o preparo necessário. Assim, é preciso investir em formação continuada, não apenas para sua equipe, mas também para o gestor. Conhecer novas ferramentas, como otimizá-las, custos, entre outros fatores é de suma importância para o gestor. Além disso, é importante que o gestor estimule sua equipe de professores para que busquem novos conhecimentos nesta perspectiva.

3. Comunicação assertiva

A comunicação sempre foi um ponto de atenção na gestão escolar. Mas, agora, ela está muito mais sensível. O simples fato de estarmos nos comunicando num momento de ensino híbrido, ora em momento remoto, ora presencial, em um ambiente repleto de muita tensão em virtude dos decretos e dos desafios tecnológicos, necessita grande atenção para a efetivação da comunicação. Mas não é preciso assumir mais essa missão sozinho, aqui, o gestor pode recrutar os membros da sua equipe com habilidades nesta área para lhe auxiliar na condução do processo. Ele pode utilizar, de maneira contundente a arte de delegar, que será abordado mais adiante.

4. Relação Família e Escola

Outro fator que já era uma importante atribuição do gestor, agora também está mais sensível. Com o desequilíbrio financeiro de muitas famílias, a tensão instaurada pelas aulas híbridas, a preocupação com a aprendizagem dos seus filhos, a organização logística quando se tem aula remota e não presencial, gerou uma tendência de ruptura nessa importante relação. Aqui é fundamental estreitar laços, incentivar as relações e manter a proximidade com as famílias. Mesmo que de maneira remota, o gestor deve buscar envolver e manter os pais ativos na dinâmica escolar. Recrutar as famílias para ações em momentos de descontração e lazer, mesmo que online, pode ser uma boa opção. Afinal, não se pode ter apenas momentos com as famílias quando se tem problemas com os seus filhos.

5. Evasão escolar com duplo sentido

Seja na rede pública ou privada, a evasão escolas é um movimento mais presente na realidade do gestor em tempos de pandemia, e pode ser observada sob duas perspectivas: a saída do aluno da instituição ou simplesmente o pouco movimento ou abandono das atividades escolares. A primeira perspectiva preocupa em especial o gestor da escola privada, uma vez que sem os recursos provenientes das mensalidades, a receita diminui e os problemas aumentam, enquanto a segunda perspectiva assusta também os gestores da rede pública, uma vez que com o grande número de matrículas entrando, os professores dão menos conta deste controle, ainda mais por grande parte das escolas pública, não terem retomado as atividades nem na modalidade hibrida, permanecendo na remota. Então, busque números, resultados e o panorama geral da sua situação, para buscar estratégias específicas e condizentes com a realidade da sua comunidade escolar e seus recursos.

Permeando tudo isto, emerge a arte de delegar. É preciso aprender delegar as questões da escola. Afinal, seria preciso o gestor se multiplicar por três para dar conta de tudo isso sozinho. Lembrando que delegar não é entregar simplesmente a execução de algo, e sim acompanhar, orientar, monitorar e corrigir estratégias, pois o gestor, deve gerir os processos e acompanhá-los. É importante lembrar da metáfora da corda ao delegar algo, pois, quando se delega uma atividade, damos a ponta da corda para outra pessoa, o que significa que ambos são responsáveis pela manutenção da corda sem cair, e vamos esticando, aumentando a distância, e ainda que não consigamos ver a outra ponta da corda, cada um ainda mantém a sua função, e o gestor ainda segurando a sua ponta. Delegar é a maior e mais importante atribuição do gestor, e somente com esta habilidade, conseguiremos desenvolver com assertividade todas as outras.

Por João Vianney[1] e Mayra Caiado Paranhos[2]

A coexistência de diferentes modelos de Ensino Conectado e de Educação a Distância no atendimento aos alunos da Educação Básica e da Educação Superior durante o fechamento das escolas na pandemia do Covid-19.

Em todos os países as Escolas da Educação Básica e as Instituições de Ensino Superior foram obrigadas a criar um atendimento de emergência para os alunos que estudam nos cursos pela Modalidade da Educação Presencial.

O atendimento online que começou com o uso de Plataformas para oferecer aulas remotas (ao vivo) foi a única alternativa encontrada para a continuidade do ensino-aprendizagem no Brasil após o início de recolhimento social em março de 2020.

Para os alunos e professores da educação tradicional esta foi em todo o mundo com acesso à internet a solução menos traumática e de melhor viabilidade para manter a rotina dos compromissos e atendimentos foi a do Ensino Conectado, e que não se confunde com a Educação a Distância.

O desenho adotado para a oferta do Ensino Conectado preservou a maioria das agendas, rotinas, horários de aulas e cumprimento de atividades anteriormente previstas para o Ensino Presencial, e colocou professores e alunos em agenda síncrona, conforme previamente indicado no calendário escolar e respectivas divulgações legais.

1 – O Ensino Conectado como a solução possível

Na prática, produziu-se um Ensino Mediado por Tecnologias para promover os encontros síncronos entre professores e alunos na forma de aulas ao vivo  – também chamadas de aulas remotas, ou de aulas conectadas, bem como de atividades de aprendizagem tais como sessões de reforço, atendimentos de inclusão, apresentações de trabalhos, momentos culturais ou de integração, entre outros.

Este modelo foi complementado por atividades assíncronas, offline, através de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para consulta de materiais, recebimento e envio de listas de exercícios, deveres ou tarefas, correções, comentários, complementos, e repositório de games, quiz e de aulas gravadas ou vídeos de apoio através de uma Plataforma, um Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Os elementos do Ensino Conectado:

 1 – Professores e alunos com Aulas ao vivo – ou Aulas Remotas; ou Aulas Conectadas;

 2 – Alunos e professores com Atividades síncronas e/ou assíncronas;

 3 – Plataforma para a realização das aulas ao vivo;

 4 – Ambiente Virtual de Aprendizagem (único ou integrado com a Plataforma) para o registro e memória da execução do Plano de Ensino, preservando de todas a aulas, frequências, atividades, entregas, tira-dúvidas, reforço e avaliações

2 – Regularidade na prestação do serviço educacional

Este modelo reuniu a essência das quatro três características essenciais da oferta educacional tradicional e denominada de “Presencial”.

A – Manteve a sessão síncrona do encontro ao vivo da aula tradicional, com professores e alunos ao mesmo tempo e num espaço coletivo, com interação de ida e volta, possibilidade de diálogos, perguntas e respostas, controle de frequência, e possibilidade ao docente de utilizar a percepção para identificar alunos com maiores ou menores capacidades ou necessidades, e diferentes estados de humor que podem sinalizar para alertas especiais.

B – Manteve a realização também síncrona para as Atividades de apoio à aprendizagem, formações complementares ao Ensino Regular, ou de sessões de Orientação ou de Atendimento Psicossocial aos alunos, e, inclusive, reunião de pais com os professores e/ou a direção da escola.

C – Recriou o Espaço Escolar no meio virtual. Para muitas escolas, colégios ou instituições de ensino superior foi inovador que foi acoplar para todos os alunos (do Ensino Presencial) um Ambiente Virtual de Aprendizagem que funciona como se fosse a Virtualização da Escola, com as funcionalidades e convivialidades típicas dos estabelecimentos de ensino. Esta circunstância nos colocou como obrigatória a “escola 24 horas”.

D – Comprovação do Serviço Educacional.

Estes elementos listados nos tópicos A; B; e C confluem para que perante os alunos e/ou seus responsáveis, os professores, gestores, técnicos-administrativos, e que perante os órgãos de Regulação e Supervisão da educação brasileira possa ser comprovada a regularidade.

 Neste modelo, para cumprir com a regularidade dos cursos da (então) Educação Presencial, professores e alunos seguiram cumprindo os mesmos contratos de trabalho, de prestação e de recepção de serviços, mantendo o cronograma e o calendário de horários para os encontros em sala de aula do semestre, os docentes, e a integralidade da carga horária previamente informada para a disponibilidade dos professores em sala de aula ou atividades relacionadas.

Este modelo de atendimento implantado no Brasil foi similar aos padrões que se universalizaram por todo planeta nas sociedades que já dispunham de uma condição de infraestrutura com acesso às conexões de dados em suas variadas formas para professores e alunos.

E, com a busca de solução para atender os alunos sem o acesso digital mínimo necessário.

Atendimento especial na exclusão digital

Quando não foi possível promover a inclusão digital, o atendimento foi realizado com envio de materiais impressos ou multimídia para a casa dos alunos, com uma frequência de entrega de novos materiais e recolhimento dos anteriores com as atividades de aprendizagem ou as dúvidas registradas.

Em muitos casos soluções originais foram encontradas no Brasil com o uso do rádio para fazer chegar ao vivo as explicações (e motivação) dos professores para alunos em zonas rurais, ou de tutorias ou tira-dúvidas por telefone, ou mesmo escritas em sistema de leva-e-traz, ou drive-thru.

Mobilização em tempos diferentes nos setores Público e Privado

Uma observação relevante a ser registrada é que os tempos de resposta para a mobilização das instituições de ensino criarem as condições de retomada do calendário letivo com efetivo atendimento docente aos alunos foram muito diversos no país.

No Ensino Superior as IES privadas estabeleceram uma jornada de ativação para oferecer Ensino Conectado aos alunos dos cursos presenciais em até sete dias, em média. Na Educação Básica privada o início do Ensino Conectado aconteceu em até duas semanas.

Por outro lado, dentre as 69 universidades federais, apenas 11% delas tinham retomado as atividades por Ensino Conectado passados dois meses desde o lockdown no mês de março.

Nas Escolas Públicas das redes estaduais e municipais o tempo de resposta sofreu variações extremas. Ora em função de expectativas de que o ciclo de interdição das escolas seria curto, o que postergava naturalmente a adoção de medidas para o Ensino Conectado, ora em razão de diagnósticos em que uma grande parte do alunado não teria as condições de acesso a dispositivos e de conexão, o que levava à uma posição de não atendimento a todos.

Porém, estas duas equações que levaram meses sem uma saída positiva para os alunos não foram impeditivas para a ação imediata de muitas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Em abril de 2020 diversas Redes Públicas iniciaram com o Ensino Conectado e com ações de complementação offline para os estudantes em situação de exclusão digital.

Na metade do segundo semestre de 2020 começou a ganhar força nos fóruns de discussão da educação de que o conceito de universalização da Educação Básica exige que um Tablet e a conexão à internet deveriam ser intrínsecos aos alunos da Escola Pública já no primeiro semestre de 2021.

3 – O que é o Ensino Híbrido?

A legislação brasileira está organizada em duas torres, duas verticais distintas e denominadas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como Educação Presencial, de um lado, e de Educação a Distância do outro. Na letra da Lei não existe o “Ensino Híbrido”.

A origem da expressão do Ensino Híbrido aplicada à educação está localizada em 2013, em artigos do Instituto Christensen[1], em que assim denomina o regime de escolas que passam a oferecer aos alunos uma combinação da educação presencial (aulas, atividades, convivialidade, práticas)  com atividades online (síncronas ou assíncronas).

O Instituto Christensen sustenta que o Ensino Híbrido veio para ficar, justificando que Um híbrido é uma combinação da nova tecnologia disruptiva com a antiga tecnologia, e representa uma inovação sustentada em relação à tecnologia anterior. 

O Ensino Híbrido funciona?

O apoio para legitimar que o Ensino Híbrido veio para ficar surgiu em 2012 nos Estados Unidos, quando o Departamento de Educação do Governo Federal publicou um estudo que mudou os olhos do mundo sobre o uso da internet na Educação.

No final de 2010 os estudos de monitoramento da qualidade de ensino nos EUA identificaram que instituições da Educação Básica, da Educação Profissional, do Ensino Militar, e do Ensino Superior que até então “não apareciam” nas melhores posições passaram a figurar ali com regularidade.

Ao investigar o que estava acontecendo de maneira recorrente com estas instituições, para buscar o que seriam o(s) fator(es) determinantes, verificou-se que estas instituições que subiram no ranking estavam oferecendo complementações de estudos online para seus alunos do ensino presencial.

Em 2012 o Departamento de Educação dos EUA publicou o estudo Evaluation of Evidence-Based Practices in Online Learning (Avaliação de práticas de aprendizagem online baseadas em evidência)[2].

Desde então, validou-se que, quando uma instituição tradicional incorpora a seus métodos e rotinas o uso complementar de metodologia online, ela, em geral, entrega alunos que alcançam melhores resultados nos exames ao final dos ciclos correspondentes. 

Dentre os fatores que teriam contribuído para esta performance superior, na época, estavam:

  • Maior carga de leitura (textos adicionais ao do ensino tradicional);
  • Resolução de maior número de exercícios ou de situações-problema;
  • Possibilidade de acompanhamento (tutoria) fora do horário e ambiente escolar;
  • Conteúdos complementares e reforço com aulas em vídeo disponíveis 24h;
  • Uso de novas tecnologias como agente motivador;

Os estudos norte-americanos que deram a base para este cenário de melhoria de resultados na aprendizagem quando do uso complementar de metodologias online aportadas ao ensino presencial tradicional não têm o foco na “substituição” de uma modalidade pela outra.

O eixo observado foi do uso das novas tecnologias digitais e da conectividade para “adicionar” carga de estudos e de atividades, e de criar canais suplementares de interação do estudante com a escola, professores e os colegas.

É como se as escolas tivessem passado a ter uma jornada extra de estudos e de atividades para os alunos. Não houve redução ou substituição da carga didática presencial anteriormente oferecida. Houve adição.

4 – O Ensino Híbrido no Brasil

No Brasil o primeiro registro oficial com autorização para a oferta híbrida de um curso superior aconteceu em 2001, quando o Ministério da Educação autorizou pela Portaria 2253/2001 que as Instituições de Ensino Superior oferecessem disciplinas à distância para alunos de cursos superiores de graduação presencial, dentro do limite de até 20% da carga didática do respectivo curso.[3]

A oferta deveria ser feita como “opcional” aos estudantes, e preservado o critério de presencialidade para as avaliações com fins de aprovação/certificação.

Na prática o país já tinha registros de Ensino Híbrido desde 1996, quando a Universidade Federal de Santa Catarina começou a oferecer para alunos dos cursos de pós-graduação em Engenharia de Produção disciplinas online, por internet, ou disciplinas por videoconferência via satélite.

E, desde o ano 2000, em São Paulo, as Universidades Braz Cubas, e Anhembi Morumbi criaram o projeto “Sexta Free”, onde aos alunos dos cursos tecnólogos noturnos a ida ao campus na sexta-feira passou a ser facultativa, com a oferta da(s) disciplina(s) equivalentes pela modalidade da Educação a Distância.

Ou seja, na origem do Ensino Híbrido no Brasil, o que as instituições de Ensino Superior fizeram foi a substituição de uma carga didática que era dada com a presencialidade, para a oferta online, com o uso de recursos da educação a distância.

A operação não foi de “adição” de maior carga de conteúdos e de atividades, ou de maior disponibilidade de serviços aos alunos como ocorrera nos Estados Unidos, mas sim de “substituição” da mesma carga didática de uma modalidade (presencial_ pela outra (a distância).

A Legislação atual de ensino superior no Brasil permite que até 40% da carga didática de um curso de graduação presencial seja ofertada por disciplinas a distância. E, nos cursos de graduação a distância, a legislação permite que até 30% da carga didática seja ofertada por educação presencial.

No atual conjunto normativo não existe mais a preponderância no peso das avaliações “presenciais” para fins de aprovação ou certificação.

Em síntese, não existe “Ensino Híbrido” na legislação, e sim um “hibridismo” autorizado pela combinação da oferta de um determinado curso utilizando os recursos e características das duas modalidades, a da EaD, e a do Ensino Presencial.

5 – O que é a Educação a Distância

A origem do que hoje a Lei chama de Educação a Distância no Brasil começa em 1904, com os “Estudos Independentes”, através do Ensino por Correspondência, com a oferta de cursos livres, em fascículos de autoaprendizagem. Na época, ainda sem um sistema de apoio à aprendizagem, e que hoje denominamos de tutoria.

Em 1927, com as primeiras emissoras de rádio, surge a tele-educação educativa, liderada por Edgard Roquete-Pinto, com uma programação com foco em formação cultural da audiência.

Em 1939 e 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, explode o Ensino de Iniciação Técnica por correspondência, com a liderança do Instituto Monitor (1939) e do Instituto Universal Brasileiro (1942).

Além do envio de fascículos, estas duas instituições também enviam para os alunos kits de aplicação técnica, para montar e desmontar, e ferramentas para o começo da vida profissional. E, o que foi inovador, passaram a responder – pelo correio, as dúvidas dos alunos, e também a receber, corrigir exames, e enviar respostas e certificados para os alunos matriculados.

Em 1942 a Legislação Federal de educação incorpora a Educação a Distância no Artigo 91 da Reforma Capanema (Decreto-Lei 4244/1.942), permitindo aos maiores de 19 anos a possibilidade de “estudos feitos particularmente” para que prestassem exames de suficiência para obter o certificado de Licença Ginasial, sem a observância de frequência escolar.[4]

Em 1961, a 1ª Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB Lei 4024/61) amplia o disposto na Reforma Capanema, e permite aos maiores de 16 anos a obtenção do Certificado de “Madureza” (equivalente ao Ginasial, na época), também a partir de preparação livre e mediante comparecimento aos exames públicos para a suficiência. E, aos maiores de 19 anos, a obtenção do certificado “Colegial”.[5]

A Lei 5.692, de 1969 também conhecida por Acordo MEC-USAID, mantém os dispostos anteriores e inova ao colocar o nome de “Supletivo” tanto para os exames de suficiência para obter os Certificados quanto para o processo de estudos independentes ou assistidos com esta finalidade para os ciclos Ginasial e Colegial.[6]

Nesta época surgem as Emissoras de TV Educativa, e têm início o longo ciclo dos Telecursos, que eram preparatórios livres e gratuitos para quem desejasse prestar os exames de suficiência.

Surgem com os telecursos os embriões do que viriam a ser os sistemas atuais de tutoria no Brasil. Em algumas cidades e indústrias foram instalados Telecentros, locais onde as tele aulas ficavam também disponíveis numa videoteca, para serem assistidas, e professores ou monitores de apoio permaneciam para tirar dúvidas didáticas ou de procedimento para os alunos.

O Ensino Superior apenas entra em cena com a atual LDB, Lei 9.394/96, que no seu Artigo 80 estabelece a validade da modalidade para todos os níveis de Ensino, quebrando o bloqueio anterior para a oferta de cursos de graduação e pós-graduação a distância.[7]

A definição atual da Educação a Distância, como no decreto de regulamentação vigente, é a seguinte, pelo Decreto 9.057/2017:

Art. 1º Para os fins deste Decreto, considera-se educação a distância a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em lugares e tempos diversos.

6 – A Educação a Distância funciona? Os alunos aprendem?

Os resultados mais recentes do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), nas edições de 2019 e 2018, têm mostrado uma equivalência entre as notas obtidas pelos alunos dos cursos de graduação presencial e as notas obtidas pelos alunos dos cursos de graduação a distância.

 De acordo com os dados oficiais do INEP, os resultados são os seguintes:[8]

Comparativo ENADE entre EaD e Presencial
AnoCritérioEADPresencial
  2019Formação Específica41,1842,63
Formação Geral33,9237,54
  2018Formação Específica41,7741,77
Formação Geral43,8044,51

Importa destacar que nas edições do ENADE o tamanho das turmas de alunos na realização do ENADE é sempre maior nos cursos de graduação a distância. Em 2019 a turma média dos cursos presenciais foi de 44 alunos, contra 113 na Educação a Distância.

Outra característica diferenciadora entre as modalidades é a faixa etária do alunado. Na EaD a média de idade nos ingressantes é sete anos mais alta que a dos alunos da Educação Presencial. Já foi maior esta distância, que vem caindo a cada nova edição do Censo da Educação Superior.

6 – O Crescimento da EAD

A expansão da modalidade entre os ingressantes do Ensino Superior é crescente nos últimos 15 anos, como mostra o gráfico do Ministério da Educação na divulgação do Censo de 2019:[9]

Esta outra forma de visualização mostra que aconteceu em 2019 o fenômeno da inversão na proporção de calouros no país, com os novos alunos da EaD superando a quantidade de novos estudantes na modalidade do Ensino Presencial no setor privado.

O MEC estimava que em 2020 é que seria alcançada a maioria de calouros pela EaD. No entanto, o “ponto de virada” aconteceu em 2019, sendo que em 2020, com a Pandemia do novo Coronavírus em cena, em com as restrições do isolamento para o funcionamento do Ensino Presencial, ocorreu uma aceleração no mercado para as matrículas na graduação a distância.

Com o impacto deste fenômeno, em 2020 a proporção de novos ingressantes no Ensino Superior deve ficar na faixa de 55% a 65% de novos ingressantes pela modalidade da EaD.

7 – Restrição da EAD para a Educação Básica

A LDB limitou em sua origem o uso da modalidade da educação a distância apenas para situações excepcionais para atender aos menores de 18 anos, deixando expresso em diversos artigos as situações em que tal poderia ocorrer. Tal como está expresso no Artigo 32:

§ 4º – O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação para a aprendizagem ou em situações emergenciais.

E, a Pandemia, diante de uma situação emergencial, pautaram-se desta forma o Conselho Nacional da Educação, o Ministério da Educação; os Conselhos Estaduais e Municipais de Educação, e as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem no Distrito Federal para permitir a continuidade dos estudos através de uma Educação Mediada por Tecnologias, e que resultou no Ensino Conectado, com as características já descritas.

8 – Ensino Conectado (ou Ensino Remoto) não significa Educação a Distância

Não aconteceu, nesta transição durante o atual ciclo da Pandemia no Brasil uma migração da Educação Presencial para a Educação a Distância, mas, tão somente uma transposição do essencial do ensino presencial para o Ensino Conectado.

Antes da crise do Covid-19, e desde 1995 a sociedade brasileira já tinha na rotina das Instituições de Ensino Superior uma outra forma de Ensino e Aprendizagem, denominada na legislação por Educação a Distância, cuja principal característica é ser predominantemente assíncrona, onde cabe ao aluno a dedicação integral do tempo de estudo, de maneira autônoma na maior parte do tempo, podendo o mesmo recorrer a professores tutores para tirar dúvidas e realizar avaliações e receber correções.

Dentre os modelos correntes de educação a distância no Brasil, para os cursos de graduação, no Ensino Superior, mais de 70% dos alunos estão matriculados em cursos com oferta preponderantemente assíncronas, em modelos denominados de EaD Online, ou de Universidade Virtual.

Os demais 30% estão matriculados em cursos de graduação a distância em que, na média, uma vez por semana, os alunos assistem/participam de uma aula vivo, com duração variável de uma hora e meia e de até duas horas e meia. Sendo esta a única interação síncrona, de “aula ao vivo”.

No restante da semana o aluno pratica uma aprendizagem autônoma, podendo recorrer a um tutor ou ao grupo de colegas para tirar dúvidas.

A carga didática média semestral nos cursos de graduação a distância é de 400 horas.  Considerando 20 semanas letivas, os alunos – nestes modelos em que ocorre a aula ao vivo – têm entre 30 horas a 50 horas de sincronicidade dos alunos com o professor ou tutor.

Isto é completamente diferente do modelo de Ensino Conectado (com aulas remotas ou aulas ao vivo) estabelecido no país como solução para atender aos alunos que estão matriculados no Ensino Presencial.

São propostas diferentes em suas características de estruturação, no tempo de sincronicidade, na dedicação dos professores e/ou tutores aos alunos e no envolvimento institucional de suporte.

Ainda que ambas as soluções, a da EAD, e a do Ensino Conectado se utilizem de meios tecnológicos para o atendimento aos discentes, há distintas condições para estruturação de material didático, graus de responsabilidade para a condução do processo e cumprimento de atividades, e de carga de trabalho para os docentes no processo de ensino-aprendizagem.

Enquanto na Educação a Distância em sua natureza determinada há um trabalho docente e multidisciplinar prévio à oferta, estruturando materiais didáticos e atividades de aprendizagem, no modelo de um “Ensino Presencial Conectado” esta ação preliminar preparatório por uma equipe de Backoffice não acontece, ficando preservada a condição clássica da autonomia didática do professor na seleção dos conteúdos para a ementa da disciplina e na condução e/ou aplicação dos mesmos pelo próprio docente.

Não se trata de uma forma de organização da oferta ser melhor ou superior à outra. São apenas diferentes opções de acolhimento e de protagonismo dos discentes no processo de aprendizagem, e de maior diferenciação ainda no papel, desempenho e dedicação dos docentes envolvidos.

A Educação a Distância clássica caracteriza-se pelo atendimento aos discentes em tempo e espaço diferidos em relação à instituição de ensino e seus agentes técnico-administrativos e de docência ou suporte à aprendizagem. Atende tradicionalmente aos alunos sem tempo disponível para compromissos regulares diários, que não se disponibilizam para uma agenda contínua de três a quatro-horas-aula todo dia, em local determinado pela instituição.

Entre outras características afeitas aos alunos que optam pela Educação a distância estão a aptidão ou preferência para uma aprendizagem autônoma, escolhendo seus próprios horários e locais de estudo de maneira flexível, e recorrendo para ter o auxílio de professores tutores conforme a agenda oferecida pela instituição, mas não com a obrigação de fazê-lo caso não necessitem de tanto para alcançar o desempenho em aprendizagem a ser verificado nos processos avaliativos.

Não se exige pela LDB a “frequência” aos alunos da EaD, mas sim verificação autenticada de desempenho no alcance dos objetivos de conhecimento, habilidades ou aptidões.

Públicos com perfil diferenciado

A Educação Presencial tradicional, e com a alternativa atual do Ensino Conectado, para uma Aprendizagem Mediada por Tecnologia, com Aulas Síncronas, é mais característica para atender a um aluno que fez a sua matrícula já orientada para um modelo de interação constante com os colegas e professores e em horários determinados, diários e recorrentes, onde se realizam as aulas, as resoluções e demonstrações, e mesmo os famosos momentos do “repete aí professor”.

É o que vem ocorrendo nas aulas em tempo real do Ensino Conectado em diversas organizações universitárias e da Educação Básica no Brasil.

A Educação a Distância na sua acepção metodológica, características de sistematização e de oferta, e mesmo na caracterização legal no Brasil, é distinta da operação emergencial que foi desenhada em algumas instituições universitárias para a continuidade do calendário letivo do Ensino Presencial.

O modelo é muito mais definido por ser uma Educação Presencial Conectada, assim como são realizadas as sessões do Poder Judiciário para ouvir testemunhas ou realizar julgamentos em modelo síncrono.

Veja a seguir os principais aspectos de diferenciação entre a Educação a Distância e o sistema aplicado na emergência do regime de restrição social para que as instituições pudessem dar seguimento no atendimento aos alunos do Ensino Presencial.

            9 – Diferenças entre Ensino Conectado x Educação a Distância

 Educação a DistânciaEnsino Conectado
1 – Ritmo dos EstudosResponsabilidade preponderante do aluno, com apoio do Tutor/DocenteOs Professores respondem pela turma de alunos e pela cadência das aulas e atividades. Ambos seguem a agenda da grade horária diária determinada no início do semestre
2 TemporalidadePredominantemente Assíncrona, com possibilidade de atividades síncronasPreponderantemente Síncrona, seguindo a mesma agenda determinada na grade horária do semestre, para todas as aulas, com a possibilidade de atividades síncronas.
3 – Controle e acompanhamento do processo de aprendizagem.Não há obrigatoriedade de frequência, conforme a legislação. Há obrigatoriedade no cumprimento das Atividades Avaliativas. Interações do aluno com os tutores a partir de situações determinadas pela necessidade dos estudantes. Aprovação por desempenho.Regime de Presencialidade obrigatória para professores e alunos, cumprindo as exigências de comparecimento nos horários de aula definidos no calendário e no cronograma do semestre. Uso de metodologias ativas em tempo real, com Registro de frequência. Aprovação por desempenho, porém com a exigência legal de frequência mínima de 75%.
4 – Interação entre os agentes do processo de Ensino-AprendizagemPreponderantemente Assíncrona Atendimento via Fórum, chat, telefone, e-mail, mídias interativas em geral, e, podendo também utilizar sessões síncronas. Em alguns modelos as IES podem incluir na agenda encontros semanais, quinzenais ou mensais com os alunos, conforme a modelagem adotada ou a natureza do curso, caso exija práticas de laboratório ou experimentações, por exemplo. Estes encontros podem ser presenciais ou realizados através de sessões síncronas via web.Preponderantemente Síncrona: Os professores estão em tempo real conectados com a turma de alunos, nos horários de aula, quando realizam as explanações, tiram dúvidas, acompanham a realização de seminários e apresentações, realizam em tempo real simulações com recursos digitais, tiram dúvidas, aplicam provas e etc. Professores e alunos trabalham em conexão síncrona, utilizando os sistemas disponibilizados pela IES, durante os períodos de aula necessários para integralizar a Carga Didática da disciplina. O atendimento do professor aos alunos é preponderante no tempo real.
5 – Características da Aprendizagem em cada modeloProfessor e aluno em tempo e espaços diferidos como característica determinante. Aprendizagem autônoma, com horários flexíveis, e necessidade de autodisciplinado e de organização pelo aluno em sua própria agenda.Professor e aluno atuando em tempo síncrono como característica preponderante para a integralização da Carga Didática. Aprendizagem caracterizada principalmente pela co-presença em ambiente virtual para as sessões de aulas, tira-dúvidas, apresentações, discussões e avaliações. Interação visual e verbal nos momentos de co-presença.
6 – Mídias utilizadasAmbiente virtual de aprendizagem, AVA, com recursos técnicos para os repositórios de materiais, interações, ferramentas de avaliação e de simulação, e recursos para conexão em tempo real, se necessário.AVA ou Plataforma Tecnológica com recursos suficientes para a realização de aulas ao vivo com o professor e alunos conectados, e todos os demais recursos para repositórios de materiais, interações, ferramentas de avaliação e de simulação, e recursos para ações off-line, quando necessário.
  7 Ações Emergenciais necessárias pelas Instituições durante a pandemia. Medidas adotadas para atender as determinações de suporte para atender aos alunos do Ensino Presencial durante o período de restrição de circulação social em função do Coronavírus Covid-19  Nas instituições já credenciadas pelo MEC para oferta de Educação a Distância no Ensino Superior não ocorreram alterações na composição de custos para o seguimento desta modalidade.Todas as instituições que optaram por dar o seguimento do calendário letivo no modelo de um Ensino Conectado, ou Ensino Mediado por Tecnologias, Ensino Remoto ou qualquer denominação similar tiveram aumento de custos nos seguintes tópicos: Aquisição, distribuição e instalação de equipamentos de áudio e vídeo, computadores, pessoal de apoio para treinamento dos professores, aumento da disponibilidade de suporte em TI para atendimento de rotina e para situações de emergência. Capacitação de servidores técnicos-administrativos para a nova realidade. Investimento em tecnologias e nos aparatos necessários à realização de transmissões online. Capacitação dos docentes para a nova realidade, assessoramento em tempo real. Investimento no acervo da biblioteca virtual devido à alta demanda. Deslocamento e atendimento aos professores em suas casas pela equipe técnica. Investimento em pessoal e material informativo pela Equipe da instituição para dar segurança comunicacional aos alunos. Investimento em segurança da Informação e de dados
8 – Controle e cálculo da Carga Didática da DisciplinaA Carga Didática na EaD é calculada a partir do dimensionamento de tempo que o aluno deverá dedicar para cumprir a jornada de aprendizagem, considerando a quantidade de tempo para a leitura e compreensão de textos, visualização e apreensão de materiais multimídias, e realização de atividades online ou presenciais, quando for o caso. Os conteúdos de referência estão em materiais didáticos previamente estruturados para a modalidade da EaD, tais como Cadernos de Estudo; Livros-Texto, Apostilas; Vídeos, Atividades de Fixação; Atividades de Controle da Aprendizagem, Games, Quiz e etc. Cabe ao aluno utilizar estes recursos didáticos para cumprir a jornada de aprendizagem, e realizar as interações determinadas com os professores ou tutores para sessões síncronas ou assíncronas para explanações, tira-dúvidas, apresentações, e etc. De maneira optativa, há modelos de educação a distância que reservam agendas semanais, quinzenais ou mensais para encontros síncronos dos alunos com a própria turma de colegas e/ou professores ou tutores. Os professores ou tutores podem complementar os materiais didáticos disponíveis, seja gravando aulas, escrevendo textos, criando jogos ou desafios de aprendizagem e publicar no ambiente de aprendizagem ou mesmo remeter aos estudantes por outras mídias. Conforme a agenda da instituição, a cada período determinado os alunos devem realizar as atividades de aprendizagem indicadas no calendário e seguir as orientações dos tutores. A depender das disciplinas os tutores podem agenda ou não web conferências, salas virtuais de plantões, e ter plantões presenciais agendados  A Carga Didática da disciplina é calculada pelo somatório dos horários de aula multiplicado pelos dias letivos indicados no calendário semestral da instituição, incluindo as etapas de avaliação. O conteúdo para cumprir a Carga Didática é ministrado pelo professor, nos horários da grade presencial estabelecida, com as aulas mediadas por tecnologia. O professor pode selecionar materiais didáticos de apoio e disponibilizar para os alunos, tais como leituras obrigatórias ou complementares, videoaulas, games, quis, reuniões de grupo extraclasse, etc. Porém, estes materiais didáticos de apoio não são substitutivos à interação síncrona realizada para cumprir a agenda da grade horária contratada. Avaliações realizadas no mesmo dia e horário de sala presencial

Contatos:

João Vianney: joao.vianney@yahoo.com.br (48) 98827 8061

Mayra Caiado Paranhos: mayracparanhos@gmail.com  (62) 98216 2496


[1] https://www.christenseninstitute.org/publications/ensino-hibrido/

[2] https://www2.ed.gov/rschstat/eval/tech/evidence-based-practices/finalreport.pdf

[3] http://cev.org.br/biblioteca/portaria-2253-2001/

[4] https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-4244-9-abril-1942-414155-publicacaooriginal-1-pe.html

[5] https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html

[6] https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html

[7] https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394-20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl.html

[8] https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enade/resultados

[9] http://portal.inep.gov.br/microdados


[1] João Vianney é Diretor da Rede Enem (Curso Enem Gratuito) e consultor da Hoper Educação. Doutor em Ciências Humanas pela UFSC. Coordenou o Laboratório de Ensino a Distância da UFSC e dirigiu o campus Unisul Virtual, a Universidade do Sul de Santa Catarina. joao.vianney@yahoo.com.br   https://cursoenemgratuito.com.br/

[2] Mayra Caiado Paranhos é professora titular da Universidade Estadual de Goiás. É Mestre em Direito pela Universidade Federal de Goiás. Estruturou o setor e foi Pró-Reitora de Educação a Distância do Centro Universitário de Goiás. mayracparanhos@gmail.com   http://www.ueg.br/

Por Renato Casagrande, especial para Jovem Pan (03/05/2021)

Quando o tema homeschooling volta à tona, com discursos enfáticos de que é o melhor para a criança, recordo-me do depoimento dado por uma professora em uma das palestras que proferi em uma cidade do interior do Brasil. A professora assustada e em crise de pânico relatou que foi ameaçada por denunciar um caso de violência sexual contra uma das suas alunas, que na época tinha menos de 10 anos de idade. O fato só chegou ao conhecimento das autoridades por meio da escola, ou seja, a aluna confidenciou seu problema à professora, muitas vezes a única pessoa a quem ela poderia pedir socorro naquele momento.

Começo minha reflexão com essa história para lembrar que vivemos tempos difíceis. Agora em meio à crise da pandemia, o tema do homeschooling ganhou força, pois a escola obrigou-se a oferecer o ensino remoto ou a educação híbrida, já que, devido ao cenário atual, não houve possibilidade da oferta da educação na modalidade presencial.

Primeiro, precisamos lembrar que mais de 80% das crianças brasileiras estudam em escola pública e que uma parcela significativa dos pais dessas crianças não tem sequer o ensino fundamental completo. Ora, estamos então regulamentando uma educação para as classes mais privilegiadas?

A LDB, no artigo 52, deixa claro que as crianças precisam ter aulas com professores com formação superior em cursos de licenciatura, ou seja, em cursos preparatórios para o magistério. Diante disso, considerar que os pais estão preparados e aptos para atuarem como professores seria desconsiderar toda a formação dos professores, que por mais precária que seja é voltada para o preparo do profissional para trabalhar com a formação de crianças e adolescentes.

Outro ponto crítico é que além da falta de conhecimento formal da maioria dos pais ou responsáveis no que tange à formação do aluno, temos um fator preponderante contra essa modalidade de ensino: a necessidade de convívio do aluno com a sociedade e com a comunidade. Muito além dos vizinhos e familiares, a criança precisa se comunicar com outras crianças que tenham uma formação diferente, crenças diferentes, pensamentos e ideologias diferentes para que ela possa desenvolver seu pensamento crítico e complexo e, assim, transformar-se em um cidadão mais consciente e preparado para lidar com os desafios e demandas futuras.

Dessa forma, é importante que a criança tenha contato e estabeleça diálogos com pessoas que pensam diferente dos seus pais, para que possa fazer análises mais profundas sobre certas convicções, crenças e valores passados pelos pais e tidos muitas vezes como verdades absolutas.

A pandemia tem nos mostrado que muitas crianças estão adoecendo ou tendo problemas de ordem psicológica por ficarem muito tempo em casa, sem o convívio com colegas na escola e mesmo com os professores, reforçando a importância do espaço escolar, que como é um espaço público possibilita que grande parte de nossas crianças e jovens possam exercitar a sua cidadania. Desenvolvendo a consciência de direitos e deveres, individuais e coletivos, e pela progressiva autonomia e autodisciplina dos alunos.

Outro fator a ser ponderado é que não se pode considerar mais nos dias atuais que a avaliação da aprendizagem de uma criança se dê meramente por provas em datas pré-estabelecidas como pretendem boa parte dos defensores do homeschooling. A avaliação da criança é contínua e precisa de um olhar constante por parte dos professores e responsáveis. Não se trata apenas de obter uma boa avaliação no Enem ou no vestibular. Trata-se de obter uma boa formação para a vida. E a formação para a vida necessita de diversidade.

Embora os defensores da proposta da educação domiciliar e os diferentes projetos de leis que tramitam no Brasil prevejam fiscalizações sobre as famílias e pais que optarem por essa modalidade, sabemos que é extremamente difícil essa fiscalização, o acompanhamento e os controles sobre as atividades que as crianças estejam desenvolvendo, bem como os possíveis abusos que possam vir a sofrer.

É claro que, em muitos lugares ainda temos uma educação sofrível e que precisa urgentemente de medidas e ações severas e profundas para melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Também temos problemas quanto à segurança nas escolas, falta de condições estruturais para os professores realizarem uma boa aula, ambiente físico muitas vezes inadequado e incompatível com as necessidades dos alunos e tantos outros obstáculos que impedem uma educação de melhor qualidade. Mas, utilizar esses argumentos para tirar a criança da escola seria o mesmo que blindar nossas casas e carros contra a violência e aceitar passivamente que isso é fato e não pode ser mudado.

Não quero ser taxativo afirmando que não devemos discutir a questão ou até a possibilidade de regulamentar parte da carga horária dos alunos na modalidade homeschooling. No entanto, acho que regulamentar a educação domiciliar, designando que a responsabilidade pela educação formal seja exclusivamente da família, em um momento em que a educação e a vida vivem numa situação de excepcionalidade pode ser um risco muito grande.

Em síntese, temos um quadro com os principais pontos favoráveis e desfavoráveis à prática da educação domiciliar ou homeschooling no Brasil.

ARGUMENTOS FAVORÁVEIS ARGUMENTOS DESFAVORÁVEIS
1. Insatisfação da qualidade do ensino no Brasil;
2. A liberdade de organização de tempo e espaço dos estudos;
3. Respeito ao ritmo do aluno e garantia de protagonismo da criança;
4. Segurança e conforto;
5. Ideologias políticas e religiosas alinhadas com os pais ou família;
6. Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, estratégias de aprendizagem, autoestima, empreendedorismo, entre outras;
7. Proteção das crianças da prática do bullying e outras pressões sociais inadequadas;
8. Maior convívio familiar.
1.  Ausência do ensino formal adequado;
2.  Falta de socialização e integração das crianças no meio comunitário;
3.  Dificuldade de identificação de abusos e violência doméstica;
4.  Dificuldade nas avaliações de aprendizagem;
5.  Ampliação da segregação social e educacional;
6.  Aumento na evasão escolar;
7.  É uma política para poucos. A maioria das famílias brasileiras não tem condições de aplicar a educação domiciliar;
8.  Agravamento da desvalorização dos professores.

Enfim, acredito que temos muitas demandas e necessidades mais urgentes a serem debatidas e regulamentadas. Precisamos, neste momento, gastar nossa energia para transformar a escola e para promover a inclusão digital de alunos e professores. Precisamos que a escola seja o espaço de cultura, de socialização, de integração, de transformação das pessoas. Precisamos, a partir de uma boa escola, promover a mudança no mundo que tanto desejamos e clamamos, não isolando as crianças do mundo, mas ensinando-as a transformá-lo por meio de integração, da diversidade e da ação coletiva.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

O texto original foi publicado pelo jornal Jovem Pan, disponível em: https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/renato-casagrande/em-tempos-dificeis-para-a-educacao-debate-sobre-homeschooling-ganha-forca-no-brasil.html

Por Renato Casagrande

Já falamos muito em avaliação de desempenho e fornecimento de feedbacks quando tratamos de liderança educacional. Esses elementos são fundamentais para alavancar o processo de mudança pessoal e organizacional, mas não são suficientes. É preciso que após essas duas etapas, uma terceira e muito importante ação, junte-se a elas. Trata-se do momento muito especial e importante para um líder e para os colaboradores de uma instituição. Estamos nos referindo ao momento de realizar o Feedforward.  

Feedforward é o processo de fornecer ideias, conselhos, sugestões e orientações para os profissionais, visando seu desenvolvimento e melhoria de suas competências. O Feedforward é considerado como um processo ou ferramenta poderosa em que o líder passa a atuar como Mentor e Coach dos seus colaboradores. 

Na função de Mentor, o líder atua como inspirador, procurando influenciar seu liderado, utilizando suas habilidades interpessoais, oferecendo assistência, apoio e recursos certos nos momentos certos. Como Mentor, o líder, após sinalizar os problemas ou desafios que seu liderado terá pela frente para mudar comportamentos, ele o aconselha como poderá promover mudanças.  

No papel de Coach, o líder atua como desafiador, ajudando as pessoas asair da sua “zona de conforto” e transpor os seus limites, acessando seus próprios recursos para atingir os resultados desejados. Nesse papel, o líder não dará respostas e não apontará caminhos, mas sim ajudará o seu liderado a encontrar os caminhos que mais se ajustam ao seu estilo e suas capacidades.  

E por fim, no processo de Feedforward, o líder ainda assessora o seu liderado na construção de um plano de ação, com foco na mudança de comportamento. A partir de um plano de ação estruturado, com objetivos e estratégias claras, é possível acompanhar as ações desenvolvidas pelo liderado no processo de mudança. As resistências diminuem, as pedras do caminho são desviadas ou retiradas e os profissionais conseguem com mais facilidade atingir seus objetivos em prol de maiores resultados si mesmos e para as instituições.

Renato Casagrande é referência nacional em gestão educacional e formação de professores. É doutorando em Educação, Mestre em Administração, Diretor Associado da Alleanza Educação, pesquisador, consultor, autor de livros, comentarista de diversos veículos de comunicação e conferencista em educação e gestão educacional.